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2017

TREMA! Festival

Antes disseram que era culpa de um portal.

Na verdade, costumamos recorrer a esta história a cada final de ano para justificarmos tudo que passou. Assistimos os Nardonis, ônibus 174, Eliza Samudio, Amarildo, chacina da Candelária, Índio Galdino. Quer mais? O menino Bernardo, Celso Daniel, Maníaco do Parque, Tim Lopes e Cláudia Silva Ferreira arrastada por 350 metros numa viatura.....

Já tinha existido Urso Branco, Carandiru, Pedrinhas. Mas ainda veio Alcaçuz, Anísio Jobim, Monte Cristo. E tome delação, lista, vazamento e invenção. A última, chamaram de "fim do mundo". Não acabou nada por aqui. E por aí?

E se esse mundo for o inferno de outro planeta?

Quando montamos um festival, não temos controle sobre as conexões que o público fará.... Que angústia! Estamos tentando te dizer algo. Tentando produzir alguma reflexão... tô falando de Brasil mesmo, pronto! Desta barbárie. Dá pra entender? Dá para fazer alguma coisa? Ao que parece, pelo menos os artistas que estarão conosco ao longo destes 12 dias estão correndo atrás. Sim! Estes vagabundos que mamam das tetas do governo! Mas é com Rouanet? Sim, é sim! É com Lei Rouanet, com dinheiro público através de mecenato e com Fundo de Cultura Estadual. São 15 espetáculos, 25 apresentações, 03 lançamentos de livros, 02 oficinas e 04 debates. O público só precisa pagar pelos espetáculos, quase o mesmo valor de uma cerveja num bar!

Entende agora a potência do investimento público em cultura?

Não vai ter Claudia Milk, nem LUAn SANTAna, nem indústria cultural no meio, sugando dinheiro público para uma roda que gira por si só, que o próprio mercado de entretimento consegue manter. Tem teatro de pesquisa, artistas que dedicam suas vidas a tentar transformar este bagulho em que estamos envolvidos. Tem nota fiscal pra cacete, tem prestação de contas, tem recolhimento de impostos.

Isto aqui não é relação de construtora com governo não, pode crer!

Mas este texto era pra quê, mesmo? Ah! Para agradecer o público em estar conosco nesta jornada. Para agradecer também os parceiros nos fez chegar a cinco edições. Ao Itaú e Governo do Estado de Pernambuco, através do Funcultura, que nesta loucura em que o país está envolvido, ainda acreditam que a arte é uma das únicas soluções, que ela forma e transforma.

As ruas continuam vazias. Podemos então nos encontrarmos nos teatros? Já não sabemos o que podemos fazer em torno desta inércia. Mas haverá alternativas.

MUDA A LÍNGUA, MUDA O TEXTO, MUDA A CENA.

TREMA!

*** texto adaptado do programa do festival

ESPETÁCULOS: Noite | Grupo Circolando/Porto (PT), Diga que você está de acordo! MaquinaFatzer | Teatro Máquina/CE, Meu nome é Éneas | Coletivo Gota Serena/PE, Cabeça – um documentário cênico | Complexo Duplo/RJ, Utopyas to every day life | Flavia Pinheiro/PE e Carolina Bianchi/SP, Trilogia Abnegação | Tablado de Arruar/SP, Orgia ou de como os corpos podem substituir as ideias | Teatro Kunyn/SP, Diafragma 1.0: como manter-se vivo? | Flavia Pinheiro/SP, OSSOS | Coletivo Angu de Teatro/PE, Salmo 91 | Cênicas Cia de Repertório/PE, Ópera | Coletivo Angu de Teatro (PE), Procura-se um corpo – ação nº 3 | Tribo de Atuadores Oi Nois Aqui Traveiz/RS e Núcleo de Teatro do Sesc Petrolina/PE e Leite Derramado | Club Noir/SP.

Cartaz-Trema-17.png

DEBATES/DIÁLOGOS TREMÁTICOS: Experiências Compartilhadas em Gestão (Brasil/Portugal) | Galiana Brasil/SP, Ana Carvalhosa/PT e Felipe Assis/BA, Demonstração pública de processo criativo | Teatro Máquina/CE, Esquerda Brasileira – distopias e realidades | Tablado de Arruar/SP e Encontro com programadores do Palco Giratório SESC | 08 programadores de diferentes unidades do SESC.

OFICINAS: Teatro documentário contemporâneo ibero-americano | Daniele Avila Small (RJ), DERIVA com participação no espetáculo Orgia | Teatro Kunyn/SP, O corpo expressivo – masterclass de movimento | André Braga (PORTUGAL)

LANÇAMENTO DE PUBLICAÇÕES: Livro: O menino na gaiola | Cleyton Cabral, Livro: Trilogia Abnegação | Alexandre dal Farra e Trema! Revista de Teatro | 10ª edição.

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