
FIGUEIREDO
PEDRO VILELA (BR)
Os povos indígenas – assim como outros grupos considerados minoritários, como os remanescentes de quilombos, os povos ribeirinhos e os “caboclos” – representam o rosto da população brasileira que é deliberadamente ocultado. Esse ocultamento ocorre na medida em que são apagados da história, das narrativas e da memória.
Um documento oculto durante mais de 40 anos serve como ponto de partida para esta conferência-performativa que busca transitar entre história e memória, tecendo vínculos em torno de uma política de destruição que se estende desde 1500: o genocídio indígena no Brasil. Relatório Figueiredo é o nome pelo qual ficou conhecido o documento final das investigações da Comissão de Inquérito instaurada no Brasil em julho de 1967 para investigar as irregularidades do Serviço de Proteção aos Índios – órgão estatal responsável por executar a política indigenista brasileira entre 1910 e 1967.
Figueiredo é, então, uma conferência performativa a partir de um documento previamente silenciado, que suscita questões sobre a guarda, difusão e democratização do acesso aos arquivos documentais. Um pequeno exemplo diante de toda a história de espoliação, exploração e extermínio (físico e cultural) dos povos indígenas, atravessada por confrontos, massacres e diásporas. História composta por fragmentos ainda dispersos, na qual os povos originários desta terra são tratados como estrangeiros. História ainda por fazer, construir e reivindicar. História que se realizará mediante a valorização do patrimônio cultural – material e imaterial – desses povos.
Se a história é uma narrativa que se dá no passado, e a memória é a releitura que transforma o passado em presente, a abertura dos arquivos do período da ditadura e sua divulgação adquirem importância, sobretudo pelo avivamento da memória. Esta só faz sentido se for considerada algo vivo, que diz respeito ao presente. A tentativa de elevar esse conjunto documental à condição de monumento, como se fosse um “monumento à história dos massacres indígenas”, só ganha força se se evidencia como instrumento de reparação e transformação.
Encenação, dramaturgia e performance: Pedro Vilela
Vídeos e Técnica: Thiago Liberdade
Apoio à criação: CRL-Central Elétrica (Circolando) e Programa InResidence, Câmara Municipal do Porto
2022 / 50 minutos / 16 anos
INFORMAÇÕES PARA DIFUSÃO
Equipe em viagem: 01 performer + 01 técnico (pode ser substituido por um profissional local)
Riders: https://drive.google.com/file/d/10dUKz98f8Xt5i1Z8-3wV443uoZgj2_N5/view



