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FISSURA

PEDRO VILELA & ALEXANDRE DAL FARRA (BR/PT)

Nos últimos anos, a imigração tornou-se alvo central da retórica extremista em Portugal e na Europa. Grupos e partidos de extrema-direita associam migrantes ao aumento da criminalidade, sobrecarga dos serviços públicos e ameaça à identidade nacional, fomentando um ambiente polarizado e, por vezes, violento.

 

Portugal, antes visto como acolhedor, passou a enfrentar uma guinada com a ascensão de partidos como o Chega e o ressurgimento do Grupo 1143 — fundado no início dos anos 2000 no meio das claques de futebol, com símbolos nazis e liderado por Mário Machado desde 2023. Esse grupo promove ações anti-imigração e islamofóbicas em várias cidades, alimentando preocupações sobre a radicalização política e o enfraquecimento da democracia.

A retórica da “Grande Substituição” — teoria conspiratória que afirma haver um plano para substituir populações europeias por migrantes — tem ganhado espaço no discurso extremista, impulsionando medidas como fechamento de fronteiras e deportações, ignorando as contribuições dos migrantes à sociedade portuguesa. Esse cenário coloca Portugal dentro de uma tendência europeia mais ampla, observada também em países como Hungria, Itália, França e Alemanha.

Em FISSURA, a experiência de Pedro Vilela, que deixou o Brasil em 2019 durante a ascensão de Jair Bolsonaro, ilustra como o extremismo político se conecta globalmente, alimentado por crises, polarização e manipulação ideológica. FISSURA parte do confronto entre um imigrante e o extremismo em território europeu, evocando memórias da fuga do Brasil e questionando o cotidiano em um ambiente cada vez mais hostil. Recontar esse episódio é essencial para entender como o extremismo avança e para promover uma reflexão crítica sobre os riscos da radicalização.

FISSURA nasce da fricção entre experiência biográfica e análise política, assumindo a cena como espaço de elaboração crítica do presente. A obra parte de um episódio concreto de violência xenófoba para investigar como o extremismo se infiltra no cotidiano, produzindo medo, silenciamento e fratura social. A “fissura” é entendida simultaneamente como ruptura íntima — a marca deixada no corpo e na memória do artista — e como sintoma coletivo de um contexto europeu atravessado por discursos nacionalistas, racistas e antidemocráticos. Ao deslocar para o espaço público uma experiência de violência, o espetáculo transforma vulnerabilidade em gesto estético e posicionamento ético.

Neste projeto, Pedro Vilela retoma a parceria com o dramaturgo e encenador Alexandre Dal Farra, figura central das artes performativas brasileira, vencedor de diferentes prêmios no país.

Co-criação: Pedro Vilela & Alexandre Dal Farra
Financiamento: República Portuguesa - Cultura I DGARTES – Direção-Geral das Artes, Programa Criatório - Câmara Municipal do Porto​

2022 / 50 minutos / 16 anos

INFORMAÇÕES PARA DIFUSÃO

Equipe em viagem: 01 performer

Riders: https://drive.google.com/file/d/1ofiWCzo3toNi4Vmp6LZINL8aSoQnp7aL/view

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