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SEMINÁRIO DIÁPORAS DO PENSAMENTO

24 set _ aula magna faculdade belas artes  _  9h30-17h30 _ gratuito (CLIQUE PARA INSCRIÇÃO)

O seminário visa reunir no Porto vozes, perspetivas e tradições intelectuais que atravessam continentes para pensar em conjunto o que significa produzir conhecimento a partir de corpos marcados pela diáspora. Não como exercício de inventário, mas como gesto político: o de afirmar que esses saberes existem, circulam e se transformam. Um espaço onde o pensamento negro não é objeto de estudo mas sujeito do debate.

9h30 - Credenciamento

 

10h00/12h00 - Conferência | Corpo-Documento negro no habitar contemporâneo: afropopias nas artes, com Aza Njeri

Esta conferência propõe uma reflexão sobre o corpo negro como documento vivo, território de memória, resistência e criação no habitar contemporâneo. Partindo das afropoéticas que atravessam as artes, buscamos compreender como o corpo se inscreve como arquivo e testemunho, mas também como invenção de futuros pluriversais.

Aza Njeri é doutora em Literaturas Africanas e professora pesquisadora de Literaturas, Culturas, Artes e Filosofias Africanas e Afro-diaspóricas. Professora do Departamento de Letras e Artes da Cena PUC-Rio no Programa de Pós-Graduação em  Literatura, Cultura e Contemporaneidade; Pesquisadora FAPERJ e CAPES/COFECUB Brasil/França. Coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares sobre o Continente Africano e as Afro-diásporas PUC-Rio. Escritora, dramaturga, roteirista, crítica teatral e literária, youtuber.

12h00/14h00 - Almoço 

14h/15h30 - Mesa 03: Políticas da racialidade na criação artística: experiências e contextos ibero-americanos, com Gessica Correia Borges -  União NEGRA das Artes (UNA), José Ramón Hernándes e Clayton Nascimento 

A mesa propõe uma reflexão sobre as relações entre racialidade, criação artística e produção de conhecimento, reunindo experiências situadas em diferentes contextos ibero-americanos. Interessa discutir de que modo artistas, coletivos e instituições mobilizam a criação para interrogar processos de racialização, colonialidade, identidade, memória e pertencimento, bem como para produzir outras narrativas e formas de representação. A partir de diferentes linguagens e práticas artísticas, a mesa procura ampliar o debate sobre as dimensões políticas, sociais e estéticas da criação, considerando os modos como corpos, territórios e experiências racializadas atravessam e transformam as práticas contemporâneas de arte.

Gessica Correia Borges (1990, Brasil) é paulistana, periférica, comunicadora social, poeta e doutoranda em Estudos Culturais (CECS - UMinho). Integra a União Negra das Artes (UNA) e transita entre a academia, arte e ativismo, habitualmente acerca da experiência sociopolítica e cultural de mulheres negras. A UNA - União NEGRA das Artes é uma Associação Cultural fundada em 2021 ativa na luta antirracista e na afirmação de negritude, defendendo os seus interesses específicos e a representatividade negra no sector artístico em Portugal. Procuramos combater assimetrias históricas e promover políticas de reparação e ação afirmativa nas artes e na cultura, em colaboração com artistas, movimentos sociais e entidades públicas e privadas. O seu foco é contribuir para a elaboração de políticas de reparação e medidas de ação afirmativa ao nível das artes e da cultura, em articulação com artistas, movimentos sociais, entidades públicas e privadas.

 

Clayton Nascimento é ator, dramaturgo, diretor, roteirista e professor. Destaca-se por uma trajetória artística que transita entre o teatro, a televisão e o audiovisual. Integrou o elenco de várias novelas e séries do Brasil e participou do filme Selvagem, ampliando sua atuação no audiovisual brasileiro. Como guionista, integrou a equipa do projeto Falas Negras, para o qual escreveu episódios e desenvolveu conteúdos voltados às questões raciais e sociais contemporâneas. A sua obra é marcada pelo diálogo entre arte, pesquisa e reflexão social, fazendo de Clayton Nascimento uma das vozes mais relevantes da cena cultural brasileira contemporânea. 

 

José Ramón Hernándes é um artista afro-cubano interdisciplinar, curador, professor e gestor cultural. Formado pelo Instituto Superior de Arte de Cuba,  é fundador e diretor artístico e geral da Osikán – viveiro de criação. Desde 2010, é gestor e curador da Zona Cero – oficina de experimentação criativa e, desde 2017, da Habana Off – escala 1. A sua investigação criativa explora a ritualidade afrodescendente, a memória pessoal e coletiva, os corpos periféricos e a construção de cartografias afetivas, bem como o trabalho com documentos não ficcionais e estratégias do sensível para afetar e intervir em processos sociais e em comunidades periféricas. Recebeu importantes prémios e teve seu trabalho apresentado em diversas instituições e festivais internacionais. É também o criador da série I Love Cities (2016–presente), que propõe uma reconstrução sensível de cidades, comunidades ou espaços a partir das biografias dos seus emigrantes (I Love… New York; Australia (Cuba); Berlin; Montreal; Habana; Madrid), e da série Opira, que explora a performatividade dos rituais afro-cubanos e o corpo filosófico da religião iorubá, ou Santería cubana.

 

15h30/16h00 - Coffe Break

16h00/17h30 - CEP – Corpografias Escreviventes Pretuguesas, com Rafael Alves Campos e artistas do CEP

CEP – Corpografias Escreviventes Pretuguesas foi um projeto de cocriação artística comunitária integrado ao programa Cultura em Expansão, da Ágora do Porto, desenvolvido entre julho e dezembro de 2025, em coprodução com a Casa Odara – Associação Cultural e Social.

O projeto reuniu artistas negros e negras para investigar, a partir de diferentes práticas, histórias e experiências, a presença e a ausência da negritude no Porto, (re)inscrevendo corpos, memórias e territórios negros no espaço urbano. O processo foi conduzido pelos artistas-facilitadores Rafael Alves Campos, Gessica Correia Borges, Kai Fernandes e Letícia Simões, com Samuel Sanção na criação visual e a participação das artistas Caterina Araya, Cah, Cinna Solar, Deusa Sebastião, Dinís Quilavei, Gilson Fernandes, Paprika e Silvana Pereira. A produção esteve a cargo de Jonatas Souza e Janaína Kruger. A partir de encontros, partilhas e práticas de cocriação, o CEP construiu um arquivo artístico coletivo sobre as experiências negras na cidade, articulando corpo, memória, território e escrevivência.

Nesta sessão, os artistas do CEP ativam esse arquivo coletivo, partilhando investigações e práticas desenvolvidas ao longo do projeto. As diferentes experiências constituem uma confluência de corpografias que tensionam os modos hegemônicos de narrar, ocupar e imaginar a cidade, propondo outras formas de presença e inscrição dos corpos negros no espaço urbano. A intervenção inclui ainda o relançamento da Revista do CEP, palimpsesto artístico em que a escrita transpira da memória da pele e reúne registros, experiências e criações produzidas ao longo do processo coletivo.

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